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        Em vez de luz, tem tiroteio no fim do túnel
              Escrito por Vanessa Silva

Existem sistemas perfeitos, o que na Química seriam os famosos “sistemas ideais”; porém, a realidade em que vivemos denota fatores que podem escapar à perfeição nestes sistemas.

O que acontece quando você é vitima de um assalto em sua própria casa? Pela perfeição do sistema, você prestaria uma queixa, o chamado Boletim de Ocorrência (BO), aguardaria uma equipe da perícia para coleta de quaisquer pistas no local do crime e assim que a policia encontrasse o meliante, você seria chamado para fazer o reconhecimento e quem sabe recuperar o que foi levado. Mas o sistema não é perfeito.

O boletim de ocorrência só serve para respaldar o policial caso ele tenha que matar o acusado; não há equipe de peritos, por que não há peritos! E mesmo que houvesse, eles não são bem habilitados para uma incursão in lócus; a policia não encontra o meliante por que você (a vitima) tem que fazer esse trabalho no lugar dela, pois não há policiais suficientes, as viaturas estão sem gasolina e/ou quebradas, o delegado não foi trabalhar, pois estava com dor dente e etecetera, etecetera, etecetera e mil vezes etecetera.

A verdade é que quando você vê um traficante conversando com um policial como se fossem velhos amigos, a realidade destrói o que você acreditava ser um sistema ideal. Daí, você lembra que sistemas ideais não existem na realidade.

Daí, você vê que a violência que até então rondava as nossas casas, hoje enfia a arma pelas grades que jurávamos nos proteger e leva nossos bens, nossa paz, nossa autoconfiança, nossa dignidade. A audácia dos bandidos é tanta que nós, cidadãos de bem, temos que nos esconder dentro de casa ou fugir, por que a qualquer momento eles podem bater a nossa janela e outra vez levar o que restou de nós mesmos.

Somos reféns de um silêncio ensurdecedor onde a lei e o crime apertam as mãos, bebem no mesmo copo de cerveja, trocam favores entre si. E nós, em meio ao tiroteio, ora reverenciamos os policiais que, sem alternativas, criam suas próprias alternativas para sobreviverem em meio às balas e ora reverenciamos os bandidos que se dizem mais organizados que a policia, para não morrermos com um tiro na cabeça.

Sim, o sistema é falho, omisso e maçante, mas nós devemos como Elisa Lucinda, “só de sacanagem” mais honestos ficar, porque no fim das contas (que nós pagamos bem e caro) estamos todos no mesmo buraco.

A violência paga bem ao tráfico, à corrupção e à desordem social e a indignação que nos toma é cara demais para aguentarmos nesta sobrevida atrás das grades, onde não é nosso lugar. Ou não deveria ser. 

“Foi meu dinheiro, foi meu livro caro;

É a pobreza tirando o seu sarro.

Que façam bom proveito da grana que roubaram,

Por que eu trabalho e outro dinheiro eu vou ganhar!”

(Ana Carolina)

 


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Valdeci Garcia, 07/07/2009

Somos prisioneiros dentro de nossas casas. E não somos diferentes quando estamos na rua. A violência e a corrupção transitam livremente; e, às vezes, achamos que são normais! Ninguém faz nada: a não ser lavagem cerebral no povo; este importante sustentáculo do Regime, do Sistema, do "Esquema" (lembrando o livro do Ignácio L. Brandão, "Não verás país nenhum"). Mas o que mais me dói é ver que justamente quem nada faz contra tudo isto conta com mais de 80% de aprovação de seu curral, digo, de seu eleitorado. Talvez, esses eleitores estejam felizes, porque os ladrões não lhes levaram, por enquanto, a vida. Ótimo artigo! Parabéns à Vanessa.
 
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