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       Georges Simenon
                Escrito por Andre esteves

Georges Simenon, além de um dos mais famosos autores de romances policiais do mundo, foi, antes de tudo, um grande aventureiro e viajante. A grande quantidade de lugares e pessoas que conheceu talvez explique a força de sua imaginação incansável: escreveu quase 200 romances, mais de 150 novelas, incontáveis histórias e artigos jornalísticos sob os mais variados pseudônimos, além de uma extensa autobiografia, de 21 volumes.

Nasceu em Liège, na Bélgica, em 13 de fevereiro de 1903, uma sexta-feira treze, mas uma tia supersticiosa o registrou com se tivesse nascido no dia 12. Na escola, sempre foi um ótimo aluno. Contudo, devido às dificuldades financeiras da família, largou os estudos e começou a trabalhar aos 16 anos. Foi padeiro e depois vendedor de livros, até que começou a escrever para um jornal local usando um pseudônimo. Sob nome falso também publicou seu primeiro romance, aos 17 anos. Nessa época, segundo narra em sua autobiografia, fazia parte da boêmia local e se envolvia “com prostitutas, ladrões e potenciais assassinos”.

Com a morte do pai, Simenon muda-se para paris, em 1922, e casa-se no ano seguinte. Paris foi um deslumbramento para o então novo escritor, que usa as ruas e cafés da cidade como cenário para diversos romances, sempre sob pseudônimos. Continua a trabalhar como repórter e viaja toda a França de barco – que também lhe servia de moradia.

Em 1930 publica o primeiro romance com seu próprio nome, Pietr-le-letton, trazendo como protagonista o Comissário Maigret, personagem mais famoso do autor.

Entre 1932 e 1935 viaja muito – África, Europa, Rússia, Turquia e depois uma volta ao mundo completa. Mais material para o incansável escritor e repórter.

Nesta época o autor já havia trocado Paris por uma pequena vila no interior da França. A vila, chamada La Rochelle, também foi cenário de muitas de suas obras. Segundo consta, estava o autor em um dos cafés locais quando veio a notícia de que a Alemanha declarava guerra à França, em 1939. Ao ouvir a declaração, Simenon pediu uma garrafa de Champagne. Ao espanto geral, respondeu “ao menos esta não será bebida pelos alemães”.

Ao final da segunda guerra, sob suspeita de ter colaborado com o nazismo, o autor mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu por dez anos, mantendo o ritmo literário alucinante. Conta-se que Alfred Hitchcock lhe telefonou e foi atendido por uma secretária. Ela informou que o escritor não podia atender porque tinha começado um novo romance, ao que o Mestre do Suspense respondeu, sabendo que Simenon podia escrever vários romances em um mês: “Tudo bem, eu espero”. O certo é que muitas das obras do autor foram protagonizadas na televisão e no cinema.

Georges transitou por vários gêneros literários, inclusive o erótico. No policial, seus livros não são marcados por tramas muito complexas ou elaboradas, mas por personagens simples, humanos e bens construídos, que escondiam sob uma máscara de respeitabilidade atividades e segredos sinistros. Existe quase sempre uma discussão ética envolvendo a trama, e o Comissário Maigret, com sua conduta nobre, sempre se destaca da podridão velada que o cerca.
  
Em 1964, sua segunda esposa (ele se divorciou da primeira), foi internada numa clínica psiquiátrica e não retornou mais para casa. Os boatos são que a crise foi ocasionada por um caso do autor com uma empregada. Em 1966, sua filha, Marie-Jo, começa a também fazer tratamento psiquiátrico e suicida-se em 1978.

Em 1972 decide que não mais escreverá romances, e passa a se dedicar a longa autobiografia. Nela, relata ter feito sexo com mais de 20 mil mulheres, o que prova nunca ter deixado de ser um autor de ficção.

George simenon morreu na Suíça, em 1989; suas obras, entretanto, correm o mundo até hoje.

Página oficial do autor (em francês): http://www.toutsimenon.com/


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