Eu só tinha dois palitos de picolé, uma meia suja, uma barrinha de cereais e o Allah guiando minha mente, foi tudo que eu precisei para ser o primeiro a ler este livro.
Magaiver (sim aquele Magaiver) falando de como construiu uma bomba atômica e entrou para o ramo do terrorismo apenas para ser o primeiro a ler o livro...

*Comentário criado por Fernando
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                                                   por Márcio Renato Bordin





Joshua acende um cigarro. Um trago. Sente a fumaça invadir seu corpo. Sua filha chora. Sua mulher implora... O cigarro queima.

Outro trago. Todo o quarteirão já fora evacuado. Os policiais cercam a casa tentando manter os curiosos afastados. Os atiradores de elite posicionados em cima dos telhados vizinhos... Joshua fuma.

Puxa mais um trago. Ato tão prazeroso quanto nocivo. Não mais nocivo que seu calibre 44 que também cheira à fumaça. Acabara de ser disparada. Acabara de criar um cadáver.

O cigarro queima. Lentamente o sólido vai se tornando cinzas. Assim como a vida de Joshua. Outrora tão sólida, agora apenas cinzas. A felicidade é vista apenas nas fotos espalhadas pelo chão da sala... O cigarro ainda queima.

Outro trago. Um calmante em forma de fumaça. Joshua nem ouve os gritos apavorados de sua esposa, que clama pela própria vida abraçada ao corpo inerte do amante.

Ele olha para o cigarro enquanto brinca soltando círculos de fumaça. Sua filha chora borrando a maquiagem carregada em seus olhos. Uma maquiagem pesada o suficiente para disfarçar seus dezessete anos de idade, nas noites em que se prostituía em troca de drogas. E Joshua julgando que sua inocente filha, ficava até tarde nas casas das amigas... Apenas estudando.

Joshua fuma tranquilamente seu cigarro sentado em sua poltrona posicionada no centro da sala de estar, com a 44 pousada sobre seu colo. Os policiais se preparam para invadir. Os dedos dos atiradores de elite coçam no gatilho. O alvo está na mira. Eles só estão esperando a ordem para dispararem... Mas não há sinal de perigo.
O cigarro chega ao fim. A ponta. A bituca. Essa é a melhor parte. Tudo parece ser tão mais prazeroso quando próximo ao fim. O cigarro, a bebida... A vida.

O sargento derruba a porta dianteira à ponta-pé, seguido por mais três soldados rasos. Os outros adentram a residência pela porta dos fundos e janelas. Rapidamente cercam um Joshua inerte.

O cigarro ainda queima. Desesperada a esposa grita para todos saírem. Porém... Tarde demais.

Todos cercam um homem dando seu ultimo trago no cigarro, totalmente indiferente aos fatos ocorrendo em sua volta... Ele apenas fuma.

Só então percebem que pisam em solo molhado. Só então sentem o forte odor de combustível espalhado por todos os cômodos... Tarde demais.

Joshua abre os braços como se saudasse a vida. Abraçando a morte. O sargento dá a ordem para todos saírem rápido de dentro da casa. Toda ação gera uma reação contraria de igual ou maior intensidade. Joshua de braços abertos empunhando o cigarro em uma das mãos e a 44 na outra, os policiais correndo desesperados. Os dedos nervosos dos atiradores puxam o gatilho.

Joshua tem o peito atingido. A pistola cai de um lado e a ponta do cigarro de outro. A brasa beija o combustível. O fogo é imediato. Rapidamente as chamas se alastram pelos cômodos. Os moveis se desmancham junto às carnes ainda vivas... Do pó ao pó.

Os gritos são abafados pelo ensurdecedor som do fogo furioso. Tudo se mescla numa terrível sinfonia.

A casa queima. A maquiagem se desmancha. O rosto pintado se desfaz. A adultera abraçada ao corpo do amante. As chamas os unem para sempre. Difícil demais separar pó de pó.

Os retratos espalhados vão se tornando cinzas. Retratos de um passado feliz. Joshua, sua amada esposa e sua doce e inocente filha. Retratos de um passado se tornam o que aquela felicidade ali estampada já se tornou há muito tempo... Apenas cinzas.

 

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Parabensss, um excelente conto.

Fernanda, 21/04/2009
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Muito bom! Realmente excelente.

Daniel Castro, 18/04/2009
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Adoreeeeeeeeeei o conto é muito bom, parabéns ao autor!!!!!!!!!

Rammille Santos Caetano, 12/04/2009
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Muito bom, parabéns.

Lucas, 02/04/2009

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Incrível, um conto maravilhoso vcs souberam fazer isso mesmo, parabéns...

Thais Costa Silva, 17/03/2009

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Um dos melhores contos que eu já li. Surpreendente e inteligente. A primeira vez que o li foi ano passado. Mas sempre que volto aqui ao Beco, dou mais uma lidinha nele. Já li umas 4 vezes. Excelente, parabéns!

Nícollas Lopes, 13/02/2009

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Um texto muito bem elaborado onde o autor estabelece uma inteligente analogia entre um cigarro que queima até virar cinza a vida do seu protagonista, que de mesma forma que o cigarro é exaurida em alguns poucos instantes. Parabéns pelo ótimo conto.

Beto guimarães, 24/10/2008

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Um dos melhores contos que já li, muito dinâmico, do jeito que gosto.

Igor Firmino, 06/10/2008

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Maravilhoso e trágico, merecidas palavras caro autor. Bjks.

Sulla Mino, 06/09/2008

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Oloko... só consigo pensar nessa palavra (expressão)... porque as demais tambem se tornaram cinzas....

Eagle_ Vyllma, 26/08/2008

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Um bom conto, um pouco extenso para um conto, mas é um bom conto...

João Vitor, 30/04/2008

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Muito, mas muito bom este conto! Parabéns ao autor!

Valdeci Garcia, 22/04/2008

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Incrivelmente instigante. Maravilhosamente trágico.

Polyanne, 31/03/2008

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Conto bem forte... parabéns.

Josué de Oliveira, 29/03/2008

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História forte e boa. Parabéns ao autor pela estréia no site!

Carlos Ribeiro, 18/03/2008

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Um conto que mescla o tema policial com uma angustiante - quase sufocante, mesmo - desconstrução psicológica do protagonista. Sem espaço para concessões, a história queima, lentamente, como o cigarro de Joshua, até o final exato e mesmo melancólico, que, ao invés de inspirar horror, inspira lágrimas.

Alexandre Gazineo , 17/03/2008

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