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        Frodo de Oliveira
                Entrevista realizada por Andre esteves em 05/04/2009




Frodo de Oliveira é escritor, além de editor da Multifoco, selecionando os textos para publicação. São de sua autoria os livros A Torre Negra, Editora Multifoco, e Extrema Perfeição, Editora Corifeu.

Como decidiu entrar neste louco empreendimento de se tornar um escritor?

R. Acho que foi meio por acaso. Até quatro anos atrás, tinha muito pouco contato com o mundo virtual. Quando me decidi a cursar faculdade, resolvi também fazer um blog, e comecei a postar alguns textos meus, contos, poemas, crônicas, mas sem nenhuma intenção mais séria. Não sei como, os amigos que me visitavam gostaram do que escrevi e sugeriram que juntasse meus escritos e publicasse um livro. Gente muito louca, esse pessoal da internet...

 
E como foi o início, o primeiro contato com as editoras?

R. Um editor, tão louco quanto meus amigos que comentavam no blog, encontrou um conto meu no Recanto das Letras e perguntou se eu não gostaria de publicá-lo numa antologia. Meses depois estava eu em São Paulo, no lançamento do "Noctâmbulos". Esse editor era o Edson Rossatto, da Andross Editora, um sujeito muito bacana e por quem tenho grande admiração. Em pouco tempo passei a fazer parte de um grupo de autores que publicavam seus trabalhos em diversas antologias, fiz excelentes amizades na rede.


E a emoção de publicar dois livros solos (A Torre Negra, Editora Multifoco, e Extrema Perfeição, Corifeu)?

R. Depois das antologias, o próximo passo é sempre publicar um livro próprio. Foi gratificante ver o sonho de criança realizado, nem dá para descrever essa emoção. E também se torna um vício, depois do primeiro livro você vira uma espécie de Roberto Carlos da literatura, quer publicar um a cada ano (rs!)...


Poderia falar um pouco dos dois livros?

R. O "Extrema Perfeição" é um livro imaturo, é claro, por ter sido o primeiro. Se o escrevesse hoje, mudaria muita coisa. Mas não creio que tenha nada do que me envergonhar, fez parte do meu amadurecimento como autor. Já o "A Torre Negra" é bem mais coeso, com temas mais ligados entre si, apesar de completamente diferentes na forma de abordagem. Gosto de relações humanas, de buscar o que motiva as pessoas a fazerem o que fazem, muito embora pareça, a princípio, que o "que" elas fazem é mais importante do que o "por que" elas fazem.


Ambas as obras são de contos. Você se sente mais confortável com textos curtos? Pretende um dia escrever um romance?

R. Sim, tenho planos para um romance de suspense muito em breve. Me sinto mais confortável com os contos porque posso escrevê-los em duas horas (rs!). Como não tenho muito tempo disponível, é muito mais prático. Mas ainda tenho esperanças de que alguém invente o dia de 27 horas, aí, meu filho, ninguém me segura, será um romance por mês, coisa de fazer inveja ao Edgar Wallace...


Quais são seus próximos projetos?

R. Como escritor, além de estar lançando este mês o "A Torre Negra", pretendo iniciar mais um livro de contos e, quem sabe, se o relógio permitir, começar a transpor um dos meus contos do primeiro livro (o conto Extrema Perfeição) para o formato de romance. É um conto policial cheio de reviravoltas, quero acrescentar detalhes inéditos, mudar o enfoque, o plano narrativo, enfim, brincar de refazer. Eu sempre me divirto muito escrevendo.


Você, além de escritor, passou a ser também editor da Multifoco. Como foi a mudança?

R. Olha, isso foi uma daquelas coisas que eu nunca vou conseguir explicar, deve ser a prova de que Deus existe!... Estava procurando editora para o Torre, então fiquei sabendo da Multifoco através da rede. Como era aqui no Rio, resolvi ir pessoalmente saber como funcionava. Marquei com o Leonardo, um dos sócios da empresa e lá fui eu, com meus trabalhos publicados debaixo do braço. Não sei exatamente como aconteceu, só sei que saí de lá com a proposta de ser o responsável por um dos selos da editora, proposta essa que eu tratei de aceitar mais que depressa, antes que ele mudasse de ideia (rs!). Tudo o que posso te dizer é que eu estava preparado para expor minhas ideias, ele deve ter gostado, e aqui estou eu. Não tenho palavras para expressar a felicidade em trabalhar numa empresa cujo principal objetivo é fazer literatura e não apenas ganhar dinheiro. Tenho ouvido coisas em seis meses de Multifoco que nunca pensei em ouvir da boca de um dono de editora, coisas como "a gente dá mais prazo pra ele", "não podemos cobrar nada do autor", " temos que publicar mais gente nova"... São coisas assim que me fazem crer que o ser humano ainda tem jeito (rs!)...


Poderia falar um pouco de seu trabalho na Multifoco?

R. Bem, eu organizo, reviso e edito antologias e livros de autores solo também. No momento, estamos com as antologias Assassinos S/A, de contos policiais, organizada pela minha amiga Jana Lauxen, Fiat Voluntas, de Fantasia e afins, das amigas Monica Sicuro e Rúbia Cunha, e duas organizadas por mim, a Solarium, de FC, e a Sinistro!, de Terror. Essas antologias são fixas, ou seja, a qualquer época do ano você poderá enviar seu texto para avaliação, pois a cada cinco meses temos um novo volume. Aliás, a Solarium terá seu primeiro volume lançado no dia 18/04, na sede da Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126, Lapa, aqui no Rio de Janeiro. Aproveito para convidar você e todos os frequentadores do Beco, que serão muito bem-vindos por lá. Já para livro de autores solo, é só enviar o original para o e-mail anthology@grupomultifoco.com.br
Para saber mais sobre as coletâneas:

Assassinos S/A (policial):
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=81965573

Fiat Voluntas (Fantasia e afins):
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=77649281

Solarium (Ficção Científica):
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=74823305

Sinistro! (Terror):
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=55766008


E o que é mais difícil: escrever ou selecionar os textos para serem publicados?

R. Ah, sem dúvida, selecionar textos de outros autores. Escrever é fácil, basta uma boa ideia. Mas lidar com os sonhos dos outros é complicado, procuro ter muito tato para recusar textos que não estão bem escritos. Na verdade, nunca fecho a porta totalmente, prefiro sugerir mudanças que façam com que o texto ganhe em qualidade e, consequentemente, possa vir a ser publicado. Nunca direi a um escritor coisas como "seu texto é fraco", antes direi "existem algumas falhas que podem ser corrigidas assim, assim e assim...". Se ele concordar e aceitar as sugestões, tem boas chances de reverter a situação e ter seu conto aprovado. A maioria concorda, mas alguns relutam em aceitar conselhos, sabe como é, escritores, mesmo os principiantes, sofrem com problemas de ego.


Qual sua leitura do cenário literário hoje no Brasil?

R. As coisas estão melhorando, devagar, mas paulatinamente. Com a internet, as chances de se descobrir um novo talento triplicaram. Ela também fez com que o brasileiro lesse mais, o que, por si só, já seria motivo de aplausos. Nós, brasileiros, temos muito talento e jogo de cintura. A incompetência dos nossos governantes em formentar um plano de educação que funcione não conseguirá impedir que se formem leitores à revelia das salas de aulas. Bem, tem o internetês, que "emburrece" quem dele se utiliza, mas os benefícios com o uso da internet vão muito além disso. Temos uma nova geração de bons escritores que estão fazendo história, principalmente nos segmentos que a crítica considera "subliteratura". Aliás, "subliteratura" não existe, o que existe são livros bons e livros ruins, independente do gênero a que pertencem.  


O que diria para um escritor iniciante que está esperando a oportunidade de ser publicado?

R. Primeiro que tudo, leia bastante. Se você quer ser escritor mas não gosta de ler, desista, não vai chegar a lugar algum. Depois, estude. Bom escritor não é aquele que nunca escreve nada errado, mas aquele que erra pouco. Sei que as regras do nosso idioma são muitas e difíceis, mas é imprescindível dominá-las.  Procure também participar de concursos e antologias, são importantes para o crescimento como autor, e busque sempre a opinião dos outros - papai e mamãe não vale, ok? E pelo amor de Deus, nunca, mas nunca mesmo, escreva um texto em internetês...



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