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Entre para o crime! Matadores Imprensa Eventos B. de Ocorrência O Mistério da 13ª Letra | |
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Texto quarta capa: Deus existe? Está a ciência pronta para admitir ou refutar essa crença milenar? Até que ponto é permitido aos cientistas se envolverem em questões religiosas? Qual é a linha que divide a fé da razão? Essas e outras indagações são ingredientes deste suspense eletrizante. O advogado criminalista Maurício Ramos é convocado a defender uma das mais famosas cientistas céticas do país, acusada de matar cruelmente o marido e a amante, uma jovem supostamente dotada de capacidades mediúnicas. Fadado a enfrentar dilemas morais, fanáticos religiosos e orgulhosos homens da ciência, enquanto tenta manter sua própria sanidade, cabe ao advogado, assim como ao leitor, desvendar o intricado quebra-cabeça que se desenrola a cada capítulo, antes que um inocente seja condenado, e o assassino – ou assassina – ataque novamente. E qual é o mistério da 13ª letra? Texto orelha: Insatisfeito com os rumos de sua vida, tanto profissional como pessoal, o advogado Maurício Ramos dá uma reviravolta ao ser convocado a defender Ana Lúcia, uma cientista famosa e deslumbrante, pela qual se apaixona loucamente. A partir daí, ele se divide entre o sentimento recém-descoberto e a repulsa por ser a mulher, ao que tudo indica, uma fria criminosa, acusada de duplo homicídio. A investigação se reveza com inteligentes jogadas jurídicas, encomendas misteriosas, perseguições religiosas, traições e palavras de incentivo, chegando a seu ápice durante o julgamento, momento em que as estradas para a solução dos crimes se multiplicam e se entremeiam. A verdade, no entanto, mostra-se muito mais aterradora e surpreendente, levando o leitor a um estado de deslumbramento mental. Maurício, em seu papel de investigador, é lançado numa corrida de vida e morte, na qual o perigo e a ajuda podem vir dos lugares mais improváveis.
Editora: Landscape
Autor do bem-sucedido O Mistério da 13ª Letra, Andre Esteves vem colecionando opiniões positivas tanto da crítica como do público. Atua profissionalmente na área jurídica, dividindo seu tempo entre o tribunal e o teclado do computador, onde muito do que vê no dia-a-dia é descarregado. É também colunista e palestrante, buscando sempre mostrar que ler é um atividade instrutiva e de enorme prazer. Assassinato na Vila Noêmia é seu segundo romance. Contato com o autor: andre.esteves.andrade@gmail.com Um dos advogados balançava o lápis à frente dos olhos, evidentemente entediado com toda aquela conversa. Finalmente resolveu falar: — Mas não há necessidade de toda essa discussão. Se já aceitamos o acordo... O advogado foi silenciado por um olhar incisivo de Sílvio, que também fitou Alexandre durante alguns segundos. Não era a primeira vez que Maurício sentia algo subtendido entre eles. Entre todos eles. Sentiu a nuca esquentar. — Mas que diabos... — tentou protestar. — Maurício, venha ao meu escritório — pediu calmamente Sílvio. — Precisamos conversar.
O SILÊNCIO TOMOU a sala com a rapidez de um raio, pesando uma tonelada. Maurício sentiu mais de uma dúzia de olhos apontados para suas costas enquanto se dirigia, por uma porta interna, ao escritório particular de Sílvio. O presidente da firma abriu uma garrafa de vodca e serviu uma dose para ele e outra para Maurício. — Não, obrigado — recusou o advogado, sentando na cadeira em frente à mesa. Estava difícil conter o fogo que subia por seu esôfago. O velho bebericou lentamente o líquido transparente. — Esse milagre eu devo agradecer a nossa cliente — reconheceu, com um sorriso. — Sílvio, que acordo é esse? — interrogou Maurício, impossibilitado de conversar qualquer banalidade. — Por que todo mundo me olhava como uma criança? Qual o problema com o contador? O experiente advogado pediu calma. — Eu ia lhe contar, mas não pude com esse carnaval todo da imprensa. Miguel tem um contato com esse jurado. Maurício fechou os olhos. Já sabia o que vinha. — Ele aceitou a proposta. Seria só torcer para ele ser sorteado. — Não vou aceitar nada disso — ele chegou o corpo para frente e afrouxou um pouco o nó da gravata. — Será que você não pode ser honesto pelo menos uma vez na vida? — Olha só quem fala! — escarneceu Sílvio, falando para uma platéia invisível. — O pilar da ética advocatícia! — Não é só porque sempre fez de mim o que quis que vai ser assim eternamente — disse baixinho. — É o quê? Não ouvi. — Marionete não é mais meu papel preferido — finalmente vociferou Maurício. — Você sempre me envolveu em suas armações... — Sempre o quê? Não jogue nas minhas costas mais pecados do que já sei que tenho, rapaz. Tudo que fez foi por si mesmo. Por si mesmo! — Mas isso não tem a mínima importância — prosseguiu mais calmo. — Se tivesse prestado atenção, repararia que eu disse que “seria” só torcer para ele ser sorteado. Não precisamos nos preocupar mais com isso. — Fernando Magno fez uma proposta. — Uma proposta? — É. Ele fica satisfeito se obter uma condenação simples, sem qualquer agravante. Ele também garante conseguir que o juiz aplique a pena mínima. — Mas isso dá doze anos de cadeia! — exclamou o advogado. — É um bom acordo, filho. Fernando Magno teria a condenação de que necessita para ser empossado desembargador e Ana pega uma pena mais branda. Você sabe que, numa condenação normal, ela dificilmente sai com menos de trinta pelo duplo homicídio — Sílvio fez uma pausa para Maurício pensar. — Basta que você desista de algumas testemunhas e pegue leve no julgamento. O advogado mordeu os lábios. É claro que a proposta era vantajosa, o que não deixava de demonstrar que o promotor estava um tanto atemorizado. O mais sensato, sem dúvida, era aceitar. — Então, o que acha? — pressionou o velho. — Sílvio, ela é inocente. Tenho certeza disso. O presidente andou pelo escritório, visivelmente alterado. — Porra, o que há com você, afinal? — esbravejou. — Desde quando culpa ou inocência é importante para a gente? — Desculpe — disse Maurício calmamente. Já havia tomado sua decisão. — Não posso permitir que uma inocente passe doze anos na cadeia. Não mais. — É uma pena ouvir isso, filho. Algo no tom do velho fez o advogado sentir as entranhas gelarem. Ele sabia como o sócio podia ser sacana quando queria. — Não se trata de uma opção. Tenho que pensar no futuro da firma. — Quer dizer que vai me afastar do caso se eu não aceitar? — Por mais que doa, sim. Foi a vez de Maurício levantar e ziguezaguear pela sala. — Isso é trabalho daquela víbora lá fora, não é? — ele encarou o antigo mentor. — É ele quem vai assumir se eu sair? — É — reconheceu Sílvio, sustentando o olhar. — Alexandre ainda não chegou à idade de ter ridículas crises de consciência. — Você não pode fazer isso. Eu também sou dono dessa firma, lembra? — De uma pequena parte. Eu e os outros já deliberamos e decidimos comprar suas cotas caso não aceite o acordo. Como deve saber, nosso contrato prevê que o sócio deverá compulsoriamente vender sua parte se dois terços dos votantes assim decidirem. Eu tenho aqui uma cópia, se quiser ver. Velho desgraçado! Maldita cobra venenosa! Devia estar tramando isso há dias. A bile subia e descia pelo pescoço avermelhado de Maurício, que não sentia nem mais o corpo. Lembrava uma panela de pressão pronta a explodir. — Pensa que me pegou agora? — o advogado colocou o dedo no rosto de Sílvio. — Goze este momento: ele vai ser único. Ana vai romper o contrato com este escritório e vai assinar uma procuração particular para mim. Ou o doutor duvida disso? Ele não deu tempo para o presidente, que pareceu perder a cor, retrucar. Saiu pisando forte, sem olhar para trás. Que o velho remoesse a publicidade perdida. Ele que não iria facilitar. Na sala de conferências, os cochichos silenciaram assim que Maurício abriu a porta. Ele não pôde deixar de notar o sorrisinho sarcástico estampado no rosto de Alexandre, encostado na mesa com os braços cruzados. Maurício se esforçou para gravar na mente aquele sorriso. O garoto ia pagar caro por ele.
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Livraria da Cultura |
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