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    Gran Torino
   Escrito por Beto Canales
 
 
 
 

Rir. Isso é o contrário de chorar?

O cinema nacional tem evoluído geometricamente. Nos últimos anos, principalmente, vários filmes pipocam aqui e ali com considerável qualidade, conseguindo, inclusive, resultados expressivos nas bilheterias, o que é fundamental. Existem algumas fórmulas verdadeiramente mágicas para o sucesso financeiro de alguns lançamentos. Gente explodindo, por exemplo, sempre dá resultado. Mulher pelada, principalmente as deusas hollywodianas, é dinheiro certo. Corridas fantásticas, efeitos especiais, histórias consagradas ou personagens já conhecidos do grande público, também garantem bons números. Mas e um filme que não tem nada disso? E por aqui, na nossa tão querida terra brasilis? Como sobreviver? Com qualidade, respondo. Qualidade e esmero.

Pois em Divã, José Alvarenga (vários Trapalhões, os Normais e alguns da Xuxa), foi muito feliz  dirigindo este longa, estrelado pela excelente Lília Cabral.

A história, baseada na peça do mesmo nome que é inspirada no livro da cronista gaúcha Martha Medeiros, conta de maneira graciosa a vida de Mercedes, uma mulher de meia idade muito especial mas nada muito diferente de qualquer mulher nas mesmas condições, ou seja, de classe média falando-se em dinheiro e posição social e acima da média no quesito inteligência. Seus conflitos, traições e dificuldades, são encarados de maneira leve e divertida, provocando boas risadas, intercalando suas sessões de análise com cenas da própria vida, causando, também, algumas impertinentes lágrimas. Sempre elas.

Acredito que o maior mérito do filme seja a não polemização de temas polêmicos. A maneira branda com que trata o adultério, para pegar somente um exemplo, é excepcional. Com tiradas inteligentes, diminui o "crime" da traição a um prazer, quase um lazer, mas sem deixar de lado as consequências que um fato desses pode causar. A simplicidade da montagem e da própria história também ajudam. Claro, não poderia deixar de salientar os diálogos, dignos de uma cronista do calibre de Martha.

Resumindo: sem explosões, sem efeitos e mesmo que a única mulher pelada seja a própria Lília, todos ao cinema. Não porque devemos prestigiar os projetos nacionais ou qualquer coisa do gênero, e sim porque estamos frente a um filme de qualidade surpreendente e, também, porque será diversão na dose certa.

Mais um motivo? Pois não: Chorar não é o contrário de rir. 




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Andre Esteves, 07/05/2009

Concordo plenamente. A melhor saída para o cinema e a literatura nacional é mostrar ao público que é tão bom ou melhor que o material estrangeiro.
 
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Maria Eneida, 07/05/2009

Vou correndo ver...
 
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