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    Anjos e Demônios
   Escrito por Beto Canales
 
 
 
 
 
 
 
 

Têm duas charges que gosto muito. Uma delas é de um esqueleto, todo encolhido, com as mãos em volta dos joelhos, em um nicho atrás de uma parede e uma medalha pendurada em que diz "campeão mundial de esconde-esconde". A outra é de uma traça comendo um rolo de filme enquanto ao seu lado tem outra devorando um livro que diz: "Prefiro o livro do que o filme".

Pois em Anjos e Demônios ver o filme ou ler o livro parece a mesma coisa. Ron Howard, diretor de Código da Vinci e do fantástico Uma Mente Brilhante, entre outros, fez uma verdadeira leitura da obra de Dan Brown. Não ousou em absolutamente nada, como na primeira adaptação.

Há de tudo. Tiroteios, corridas, lutas e, principalmente, ironias contra a igreja. Mesmo se tirarmos as várias situações inverossímeis e improváveis, fica algo que ainda incomoda. O filme, sempre como o livro, começa rápido e mantém o pique até quase o final. Este é um mérito indiscutível mas, às vezes, as cenas são tão fiéis ao original que ficam quase ingênuas. É o risco que existe quando pega-se uma cena descrita e a transforma em imagem. Isso não deve ser feito quase como uma imitação, mas sim, realmente adaptada. A fotografia é belíssima e os diálogos bons. A atuação dos principais atores não gera nenhum comentário, nem a favor nem contra. A trilha e os efeitos sonoros são médios e as duas horas e dezeoito minutos um exagero. Sobre o filme, não tenho mais o que falar.

Entretanto, sobre a fábula, a história que é contada, há muito o que ser dito. É de uma riqueza inimaginável e rica em detalhes. A igreja católica sempre despertou, com razão, ódio e amor mundo afora. Desde as cruzadas, quando matavam os hereges e as bruxas na fogueira até hoje em dia, quando matam africanos condenando o uso da camisinha num continente em que a aids é epidêmica, arrumaram e arrumam inimigos poderosos. Por outro lado, da mesma forma que "protegeram" o ocidente do islã e ajudaram de maneira significativa na popularização das letras, angariaram seguidores por todo o planeta. Essas atitudes antagônicas produziram uma quantidade enorme de lendas e fatos em torno da instituição. Os mistérios, também alimentados pelo Vaticano, como não abrir os arquivos e manter longe do mundo científico documentos que deveriam pertencer a humanidade, ajudam a criar essas histórias fantásticas.

E aí entra o enigma: com dinheiro, bons autores e uma rica trama, porque o resultado não foi amplamente satisfatório? É mais ou menos como ser campeão de esconde-esconde e definhar no esconderijo.

A forçadinha de barra contra os católicos, provavelmente em busca de propaganda gratuita, deu certo. Dizem por aí que o Vaticano sugeriu aos católicos que não vejam o longa. Bingo. Propaganda feita.

Mas, enfim, creio que a Igreja não precisa realmente se preocupar com o efeito do filme. Ele é muito limitado e a santa igreja deve ter alguns probleminhas mais urgentes para enfrentar. 

Apesar de tudo isso, ao escurinho. Que seja pela polêmica, pela diversão ou pela crítica a Bento e seus asseclas, motivos não faltam.

Quem gosta de cinema tem que ver.  




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Sidney, 02/06/2009

Com certeza, o livro é bem melhor. Isso é uma premissa minha, mas vou assistir o filme pra ponderá-la. Depois da adaptação do Código da Vinci,como diz o André, estava sem ânimo nenhum pra ver outra adaptação do Dan... É claro que em "O iluminado" Kubrick distorceu em muito a fidelidade da obra homônima de Stephen King, porém esse diretor é um dos poucos que "distorceu com classe", ao menos - ou seja, sem insegurança caso erre - a história de uma obra literária. E ele não errou. Já não posso dizer isso no caso do Ron Howard no Código Da Vinci... Vou assistir Anjos e Demônios, porém, dependendo do que achar do filme, a próxima adaptação que assistirei será enfim argh!), uma do Paulo Coelho hehehe... Veronika decide morrer ou O alquimista...

 
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Renato Cassaro, 27/05/2009

Concordo com o L.C. Lima, o livro é bem melhor.

 
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L.C.Lima, 23/05/2009

Sabe que eu não gostei tanto? É claro que não chegou a ser como aquela adaptação de Código da Vinci. Mas coisas interessantes se perderam. A começar o "Cavaleiro da Décima Segunda Hora", o doutor lá do centro de pesquisas em sua cadeira de rodas que revelava o caso todo. A nova adaptação para o final da história mostra que o vilão embora fizesse uma senhora trama para conseguir seu objetivo, esqueceu que havia uma câmera no escritório do Papa. Depois o "Hassassin" foi reduzido a um mero capanga de terno. Além disso, vendo o filme, ficou tão parecido com Código da Vinci, ou foi só impressão minha? Ele encontra uma menina relativamente envolvida com o assassinato; as autoridades precisam do conhecimento simbólico dele, mas é sempre o vilão que precisa que ele "explique" o que acontece; o vilão é alguém insuspeitável com um capanga de primeira. Talvez esse seja um "defeito" do próprio Dan Brown. Mas achei o livro muito mais emocionante, e não tinha me tocado disso à época. Além do quê, pelo que eu me lembre, o novo papa surgia iluminado no alto das estátuas da praça de São Pedro, e não no meio do povo, algo que pra mim era uma cena muito mais impactante e proveitosa. O efeito da explosão da Antimatéria realmente me surpreendeu, mas vou concordar com a tracinha da charge do Beto - muito bem escrita por sinal - o livro foi melhor. E mesmo assim, talvez eu vá com o Josué, pode não ser isso tudo.Talvez eu diga isso hoje, mas na época em que eu li, achei o máximo, e mesmo dando porrada a torto e a direito na Igreja, não pretende revelar o último grande segredo da humanidade.

 
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Andre Esteves, 22/05/2009

E aí, Armindo, qual foi o veredito?

 
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Armindo, 21/05/2009

Ver ou não. Sem dúvidas, agora.

 
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Cláudio Quirino, 20/05/2009

Simplemente, o mérito de diversificar muito as adaptações quanto ao livro já era esperado - assim como em todas elas. Mas, a meu ver, o filme foi muito bem produzido, e as cenas principais do livro foram retratados com uma realidade arrepiante! No mais, o destaque de Anjos e Demônios certamente é a trilha sonora impactante do ótimo Hans Zimmer ( adoro trilhas, e sou fã do referido compositor ) que confere um suspense a mais ao filme com suas percussões aceleradas e corais arranjados de forma sublime. No todo, o filme é incrível quanto à temática. Para mim, o melhor do ano até agora. Grande abraço, e parabéns pela crítica, Canales.

 
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Josué de Oliveira, 20/05/2009

Passarei longe. Dan Brown sucks

 
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Andre Esteves, 20/05/2009

Confesso que estava receoso. Acho que não estou preparado para aguentar outra adaptação do naipe do Código da Vinci (apesar de eu não ter gostado do livro, o filme superou todos os meus mais negros prognósticos).

Com Anjos e Demônios, a queda promete ser muito maior, porque adoro o livro, para mim o melhor do Dan Brown, disparado.

Mas sua crítica me animou, Beto. Quinta-feira estarei no cinema. Acredito que Ron Howard merece outra chance, principalmente pelo realmente ótimo Uma Mente Brilhante. Mas, se colocar novamente os gritos histéricos do vilão sendo abafados pelo vidro do carro, desisto!
 
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