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    Gran Torino
   Escrito por Beto Canales
 
 
 
 
Divã



            
  



Dia desses ouvi que filme bom é aquele em que se chora. Apesar de discordar, achei uma colocação muito interessante. Discordo por que existem centenas de filmes ótimos em que não chorei, e acho interessante por que não lembro de um em que eu tenha chorado que não fosse bom. Pois na despedida do velho Clint Eastwood como ator, anunciado por ele próprio, fui às lágrimas como um bebê faminto. Dirigido também por ele, o filme trata sobre temas diversos - acredito que abrangente até demais - como racismo, velhice, violência e fé, de uma maneira incisiva mas sutil, mostrando-se, às vezes, somente depois de termos saído do cinema.  

 É verdade que Eastwood exagera nas caretas e rosnados, tentando demonstrar severidade, mas não chega a prejudicar em demasia o personagem Walt Kovalski, idoso nacionalista e veterano de guerra (sempre eles), que resiste bravamente em seu bairro invadido por orientais, latinos e negros, sozinho, à espera sabe-se lá de que. A história envolvente e a direção impecável mostram que a dureza e teimosia podem dar lugar ao carinho e ao bom senso. Depois de uma tentativa de roubo do Gran Torino ano 1972, começa uma relação um tanto quanto inusitada, tipo pai/professor e filho/aluno com o próprio ladrão, um vizinho "amarelo". Desta relação, surgem todas as nuances da história e um sentimento quase amoroso, que leva ao crime do desfecho final. Na tentativa de proteger a irmã do pupilo, a quem a essa altura já nutre uma bela amizade, Clint desafia uma gang das redondezas e o resultado é a quase morte da menina, atacada e violentada como forma de vingança. Claro, a coisa envereda para a culpa (que teve, afinal) do nosso bom e velho herói, originando um verdadeiro show de interpretação e direção, enquanto mostra o conservador protagonista na dúvida do que fazer. A intenção era surpreender na decisão e, na verdade, o sentimento de vingança que toma conta de todos os espectadores ajuda, pois o desejo geral é de morte, sangue. Mas a saída é política. Kowalski literalmente se deixa assassinar para que os bandidos sejam presos, conseguindo assim a paz para a vizinhança toda. Fosse por essas terras, a coisa não seria bem assim e, em seguida, a gang estaria na rua novamente, tornando a estratégia inócua, mas na terra do tio San até dá para aceitar, com um pouco de boa vontade.   

Contado essa história, o filme conseguiu passear por todas as questões listadas acima, com uma ênfase grande para o racismo e, também por isso, tornando-se um bom filme. Mas bom filme quanto? Para mensurar isso, pelo menos tentar, eu tenho três listas que às vezes uso quando falo de cinema. A dos Dez melhores, (uma lista em que só entram filmes, sem nunca sair nenhum - possui centenas de participantes), a dos Dez piores, ( também extensa e com o mesmo sistema ), e a dos Três melhores (onde para entrar um sai outro), hoje composta por Pulp Fiction, Inconscientes e O Lutador, que ainda há pouco tirou o lugar de Império do Sol, sob alguns protestos.   

 Gran Torino certamente ganha um lugar de destaque na lista dos Dez melhores, afinal não é fácil fazer um filme com um velho, tratar de tantos assuntos polêmicos e ainda por cima fazer chorar.   

 Ao cinema, pois ainda está em cartaz.  



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Maria Cecilia Venturini, 15/08/2009

Você escreveu o que eu gostaria de ter escrito sobre o filme. Já assisti duas vezes
 
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Josué, 01/08/2009

Peguei o DVD hoje, assisti, gostei. O principal problema, na minha opinião, foi o elenco - os irmãos hmongs vizinhos do personagem do Clint são horríveis. Péssimos. O final, tbm, foi meio súbito, mal construído. Mas, de todo modo, gostei da mensagem do filme.
 
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Josué, 28/04/2009

Vou ver. vl.
 
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Denise, 27/04/2009

Clint é sempre bom.
 
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Roberto, 27/04/2009

Eu vi esse filme, vale muito a pena.
 
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Andréa Linon, 27/04/2009

Poxa, deu vontade de assistir o filme. Valeu pela indicação!
 
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Josué de Oliveira, 27/04/2009

Infelizmente o filme saiu de cartaz dos cinemas de Niterói, de modo que terei de esperar pelo DVD. Adoro tudo que Eastwood fez desde o fantástico "Mystic River".
 
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