Daria um bom filme
Últimas palavras do advogado do autor, lendo seu inventário

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O Testamento

                                   Por L.C. Lima

 

O idoso, rancoroso e arguto Troy Phelan vive uma vida sem muitas alegrias. Não se dá bem com os seis filhos nem com nenhuma das três ex-esposas e, para acrescentar, a pessoa em quem mais confia no mundo é um advogado. Existe, entretanto, um pequeno detalhe neste personagem que o faz crucial para o livro: ele é portador de uma fortuna de onze bilhões de dólares condensada num dos maiores conglomerados industriais dos Estados Unidos.

Certo dia o velho Phelan reúne seus filhos e ex-esposas para ler seu testamento e informa que está d com um tumor no cérebro, fazendo assim um testamento em vida para seus filhos, deixando-lhes todo o dinheiro, solicitando porém, que todos enviassem médicos para atestar sua sanidade mental para que tal testamento não fosse contestado posteriormente.

Assim que termina o exame e sua sanidade é comprovada, Phelan corre pelo seu escritório e salta do prédio. A estupefação de seus herdeiros vem com a mesma intensidade que suas almas ambiciosas podem pensar em gastar a pequena fortuna da qual eram portadores.

Mal sabem eles que Troy deixara um último presente para seus amados filhos: um testamento de gaveta do qual seu advogado  e poucas testemunhas tinham conhecimento e que lhes negava qualquer mísero centavo da herança. Uma das exigências de tal testamento é que ele fosse apenas revelado aos ex-herdeiros depois de passado determinado tempo de sua morte: queria pegar os filhos de surpresa após terem gastado o primeiro quinhão da herança. Como única herdeira de Phelan ficou uma jovem missionária, filha de um relacionamento extraconjugal, que naquele exato momento encontrava-se nas matas Brasileiras.

É aqui que Grisham desenrola duas narrativas: a dos herdeiros lutando contra os advogados de Phelam querendo quebrar e invalidar seu testamento e a do ex-alcoólatra e também advogado litigioso Nate O’Riley desbravando o pantanal mato-grossense, cruzando rios e enfrentando jacarés, cobras que se embrenham nos barcos e o próprio vício da bebida.e


Escrito em 1999, O Testamento encabeçou a lista dos best-sellers do New York Times quando lançado mas não é uma das grandes obras de Grisham. Nem mesmo recebeu adaptação ao cinema como seus grandes sucessos.

O Brasil é tema recorrente nos livros de Grisham. Em O Sócio, um advogado que deu um grande golpe em seus sócios se encontra refugiado no Brasil e corre pelo Rio de Janeiro além de viver algumas situações da vida nacional. Em O Testamento, Grisham traça linhas gerais do que é o Pantanal Mato-Grossense e ainda tenta se excusar quando numa entrevista falou que "Espero não ter descrito o Pantanal como um enorme pântano repleto de perigos. Não é. É uma preciosidade ecológica que atrai muitos turistas e todos sobrevivem".

Há algumas incoerências neste ponto como por exemplo os funcionários de Corumbá se chamarem Jelly e Welly, mas nada que prejudique substancialmente sua obra ao leitor americano. Porém o autor traça fortes críticas ao falar da morosidade da burocracia brasileira e de algumas situações de emperramento legal , traçando ligeiras comparações com o sistema americano. Grisham fala também da nossa cerveja Antártida, uma das quais tentou Nate O’Riley em sua recaída alcoólica na cidade.

Mais uma vez John Grisham nos envolve de forma maestral numa intrincada trama jurídica.




Outros livros de Jhon Grisham:

A Firma

Tempo de Matar

 

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