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      Vento Sudoeste
              Escrito por Carlos Rebouças
 
 
 
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Vento SudoesteSinopse: Soprava um sudoeste em Copacabana quando o delegado Espinosa saiu para se encontrar com o homem que lhe fizera o estranho pedido: investigar um assassinato que ainda não tinha sido cometido e cujo assassino seria ele próprio. Mais estranho ainda: o homem ignorava o motivo do crime, como seria cometido e quem seria a vítima.

Que motivos teria o investigador para levar a sério um caso que mais parecia assunto de psiquiatra do que de delegado de polícia? Pouco a pouco, entretanto, ele vai se enredando numa trama assombrada por conflitos psicológicos e assassinos em potencial. À medida que o tempo muda e ao sabor do vento sudoeste - prenúncio de perturbações de todo tipo -, o que de início se apresentava como delírio persecutório acabará assumindo feições brutais, num desafio à inteligência do titular da 12.a DP do Rio de Janeiro.
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Considero Luiz Alfredo Garcia-Roza um ótimo escritor, principalmente no quesito criar uma situação-chave interessante para a trama. No entanto, quando a questão é finalizar a boa história que vem sendo desenvolvida, o autor deixa muito a desejar, em minha opinião.

Vento Sudoeste não foge a regra.  O livro começa bem, com o delegado Espinosa se deparando com um pedido bastante incomum: investigar um crime ainda não cometido, cujo autor seria a própria pessoa que fazia este estranho apelo. Seu nome é Gabriel, um rapaz que vive assombrado com a previsão de um vidente que conheceu em uma festa qualquer.

A história se desenrola, com a falta de interesse inicial do delegado e com o crescente nervosismo do rapaz, devido à proximidade da data final para que se cumpra o vaticínio do vidente. Aqui o autor repete bastante as descrições e acontecimentos explorados em outras obras em torno do detive Espinosa, além de desviar-se bastante da história principal. Mas nada que atrapalhe demasiadamente a trama, que segue seu curso, principalmente na tensão do jovem realmente vir a cometer algum crime, o que tornam as coisas bem quentes quando um realmente ocorre.

O único ponto negativo, mesmo, é o final. Diante da trama bem montada até aqui, esperamos uma ótima resolução, com um clímax a altura. Não é o que ocorre. As linhas soltas são amarradas em uma explicação psicológica não tão convincente, e o leitor, pelo menos eu, saí com um tantinho de sentimento de frustração.

Mesmo o final morno, no entanto, não estraga a qualidades da obra, que recomendo. A tensão envolvendo Gabriel, as suspeitas crescentes sobre eles, dão o tom do livro que vale a pena ser lido, mesmo que o final que o leitor tenha idealizado não seja tão bom quanto o escolhido pelo escritor.



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Amadeu Junior, 07/07/2009

Acredito eu que, pela formação dele, veja a necesidade de ligar os seus finais sempre a um motivo psicológico ou algo assim. Isso que vem acabando com os finais de Garcia-Roza. Se ele se desligasse um pouco mais da psicologia e entrasse mais no mundo do crime, poderia sair daí um ótimo desfecho. Já li outros dele, como Espinosa sem Saída (trama ótima) e Perseguido (muito bom), mas ambos sem o final merecido, devido a sua grande capacidade de criar tramas..
 
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Josué de Oliveira, 20/04/2009

Também considero os finais o principal ponto fraco de Garcia-Roza.
 
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